Epidemiologista da Fiocruz alerta que crise da fumaça no AM está longe do fim

Após dias consecutivos de intensa fumaça provocada pelas queimadas no Amazonas, Manaus amanheceu nesta terça-feira (20) com sinais de melhora na qualidade do ar. A avaliação é do epidemiologista Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Amazônia). Ele aponta uma possível reversão do cenário crítico enfrentado pela capital e municípios do entorno. Apesar do alívio, o especialista alerta que a crise ambiental está longe de ser completamente superada.

Segundo Orellana, a redução da fumaça está relacionada às chuvas registradas nos últimos dias. Ele destacou a atuação da força-tarefa liderada pelo Governo Federal para enfrentar a emergência ambiental.

Entre as medidas mencionadas estão mais de dez prisões, a mobilização de 16 aeronaves e a liberação de R$ 14 milhões ao Governo do Amazonas. A estrutura também conta com o apoio das Forças Armadas e a instalação de uma base da Força Nacional do SUS em Manaus. Parte dessas medidas foi detalhada pelo Ministério do Meio Ambiente no último domingo (18).

Mobilização

A mobilização ocorre após um dos períodos mais críticos de poluição atmosférica registrados recentemente na capital. Na última semana, Manaus figurou entre as cidades com pior qualidade do ar do Brasil. A fumaça provocou suspensão de aulas, cancelamento de atividades ao ar livre e alertas das autoridades sanitárias. Em determinados momentos, a concentração de partículas finas atingiu níveis considerados perigosos à saúde.

Para Jesem Orellana, embora a situação comece a apresentar sinais positivos, ainda não é possível considerar encerrada a emergência ambiental. “O problema ainda está distante da completa resolução. Mas, o horizonte, finalmente, é favorável”, afirmou.

O epidemiologista também chamou atenção para os impactos da exposição prolongada à fumaça, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.

Recomendações

Mesmo com a diminuição da fumaça, Orellana recomenda evitar atividades físicas ao ar livre e exposições desnecessárias, principalmente em regiões com grande circulação de veículos. Ele orienta a população a manter a hidratação, permanecer em ambientes protegidos da poluição e utilizar máscaras de proteção respiratória do tipo N95 ou PFF2.

Os sintomas que podem indicar efeitos da exposição à fumaça são tosse seca, dor de cabeça, congestão nasal, irritação na garganta, náuseas e mal-estar. Orellana recomenda procurar atendimento médico caso essas manifestações apareçam para evitar possíveis complicações.

Por fim, Jesem Orellana reforçou a necessidade de colaboração da população para impedir novos episódios de poluição. O especialista recomendou que não seja realizado nenhum tipo de queimada.

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