O Amazonas entrou no centro do debate promovido pela Rede Globo, nesta sexta-feira (23), entre o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam a Presidência da República, durante uma discussão sobre saneamento básico na região Norte. Flávio acusou o PT de votar contra o marco legal e disse que pretende retomar a meta de levar água e esgoto tratado a mais de 90% da população até 2033. Segundo ele, o prazo teria sido adiado para depois de 2050 pelo atual governo.
Lula respondeu que Flávio não conhece a região Norte e mencionou a crise de oxigênio em Manaus durante a pandemia de Covid-19. “Acho que ele só ouviu falar de Manaus e de toda a região Norte quando o pai dele apareceu na televisão rindo e imitando uma pessoa morrendo asfixiada porque não tinha oxigênio. Talvez seja a única imagem que ele tem do Estado do Amazonas é essa. É o pai dele rindo das pessoas morrendo por falta de oxigênio. Porque se ele conhecesse o Amazonas e conhecesse tudo o que nós fizemos na Amazônia”, disparou Lula.
Zona Franca
Ao falar diretamente aos eleitores do Amazonas, Flávio afirmou que pretende manter e ampliar a Zona Franca de Manaus. Entre as propostas, citou a atração de data centers para a região e o uso do gás existente no estado para produzir fertilizantes, com o objetivo, segundo ele, de reduzir a dependência de produtos importados.
“A Zona Franca é sagrada, tá garantida. Eu vou fazer é ampliar ainda mais porque o Brasil hoje tem um grande… é um celeiro de oportunidades pro mundo pra que existam investimentos aqui. Por exemplo, em data centers, eu vou também trabalhar para que isso vá pra Zona Franca de Manaus. O gás que existe também em Manaus, no Amazonas, isso pode sim ser transformado na soberania para o nosso agro, porque com essa matéria-prima você pode produzir fertilizantes, pra gente depender menos de fertilizantes que são importados lá de fora”, disse Flávio Bolsonaro.
Flávio também disse que pretende garantir autonomia aos povos indígenas para decidirem o que fazer em suas terras. Lula, por sua vez, criticou a política ambiental do governo Bolsonaro e citou a declaração do então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre “passar a boiada”. Para o presidente, a floresta em pé e a economia verde podem gerar mais recursos do que atividades que dependam da derrubada da mata.
“Pode trazer muito mais dinheiro do que plantar capim ou criar gado. “Se ele soubesse, se ele conhecesse um pouco o potencial no mundo da economia verde, ele iria perceber que a floresta em pé e colocando os indígenas pra tomar conta das suas terras, a gente iria ganhar muito mais. Mas muito mais. Ele não sabe o que o Fundo Amazônia tá significando pro Brasil. Aliás, eles anularam o Fundo Amazônia. Fomos nós que entramos e que fazemos o Fundo funcionar”, rebateu Lula.


