AM tem o pior retorno de impostos em bem-estar à população

O Amazonas aparece atrás dos estados do Piauí, Alagoas, Maranhão e Acre, que ficaram, respectivamente, nas posições 23ª, 24ª, 25ª e 26ª do ranking do IBPT.

MANAUS – O Amazonas ficou na última colocação entre as 27 unidades da Federação no ranking que mede o retorno dos impostos para o bem-estar da sociedade, conforme pesquisa do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação). O estado obteve índice de 162,38 no levantamento, que considera dados de 2023.

O Amazonas aparece atrás dos estados do Piauí, Alagoas, Maranhão e Acre, que ficaram, respectivamente, nas posições 23ª, 24ª, 25ª e 26ª do ranking do IBPT.

A arrecadação de tributos estaduais no Amazonas correspondeu a 10,54% do PIB (Produto Interno Bruto). O indicador de desenvolvimento utilizado no cálculo resultou no índice de 162,38 atribuído ao Amazonas.

Para o economista Francisco de Assis Mourão Júnior, os números precisam ser analisados em conjunto. Segundo ele, o resultado não significa, isoladamente, que o Amazonas arrecada pouco ou muito, mas mostra uma distância entre a riqueza produzida e os resultados de desenvolvimento humano.

“O levantamento relaciona a arrecadação tributária estadual com o nível de desenvolvimento humano. Portanto, a última posição do Amazonas não significa simplesmente que o Estado arrecada muito ou pouco, mas demonstra que ainda existe uma distância entre a riqueza produzida e os resultados sociais alcançados”, afirmou.

O IRBES (Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade) considera dois fatores: a relação entre a arrecadação de tributos estaduais e o PIB, com peso de 15%, e o indicador de desenvolvimento humano, que representa 85% do cálculo. Quanto maior o índice, melhor é a posição da unidade da Federação no ranking.

Economia concentrada
Segundo Mourão Júnior, uma das características que precisam ser consideradas na análise é a concentração da atividade econômica em Manaus, impulsionada principalmente pela Zona Franca e pelo Polo Industrial.

“O Amazonas possui uma economia relativamente forte, mas bastante concentrada em Manaus”, afirmou. Para o economista, essa concentração também contribui para o deslocamento de moradores do interior para a capital em busca de emprego, renda, educação, saúde e outras oportunidades.

O cenário, segundo ele, aumenta a pressão sobre os serviços públicos e a infraestrutura de Manaus e evidencia a necessidade de ampliar as oportunidades econômicas nos municípios do interior.

O economista também destaca as características territoriais do estado. O Amazonas tem 62 municípios distribuídos em mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, com grandes distâncias e localidades cujo acesso depende principalmente dos rios.

“Levar uma equipe de saúde, medicamentos, professores, material escolar, segurança, energia, internet ou infraestrutura para determinadas localidades do interior envolve uma logística mais complexa e, muitas vezes, mais cara”, afirmou.

Para Mourão Júnior, essas condições ajudam a explicar parte das dificuldades, mas também devem ser consideradas no planejamento das políticas públicas. Ele defende a ampliação de atividades econômicas nos municípios do interior para gerar emprego, renda e arrecadação local.

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