Brasil vai voltar a ter dois pilotos no grid da F1 depois de 11 anos

Com a chegada de Rafael Câmara à Fórmula 1 em 2027, o Brasil passa a ter dois representantes na elite do automobilismo mundial: o pernambucano se junta ao paulista Gabriel Bortoleto. Com isso, o país terá mais de um piloto na categoria pela primeira vez em 11 anos, retomando um número que, historicamente, se aproxima do que o automobilismo brasileiro sempre foi.

A última temporada da F1 com dois brasileiros no grid tinha sido a de 2016, com Felipe Massa pilotando pela Williams e Felipe Nasr na Sauber. No entanto, Nasr perdeu a vaga na equipe suíça ao término daquele ano, sem conseguir retornar à categoria.

Massa, por sua vez, foi o representante solitário do Brasil em 2017 e se aposentou no fim daquele ano, iniciando um hiato que, com exceção de duas corridas de Pietro Fittipaldi como substituto em 2020, durou até a chegada de Bortoleto à Fórmula 1, em 2025.

Felipe Massa e Felipe Nasr na F1 em 2016; dupla estreou na categoria pela Sauber, em 2002 e 2015 — Foto: Mark Thompson/Getty Images

Com Bortoleto e Câmara, o Brasil agora retoma uma longa tradição de ter nomes competitivos no grid. Nos anos 50, o país já teve lampejos de participação múltipla: em 1952, Chico Landi e Gino Bianco representaram a bandeira verde, amarela azul e branca. Quatro anos depois, Nano da Silva Ramos substituiu Bianco como segundo representante brasileiro.

Depois de passar a década de 60 inteira sem nenhum piloto, o Brasil voltou a ser representado em 1970, com Emerson Fittipaldi. A partir daí, começaria uma trajetória de sucesso nas pistas: dois anos depois, Wilsinho Fittipaldi e José Carlos Pace se juntaram ao grid – pela primeira vez, o país tinha três pilotos na Fórmula 1.

A participação maciça de brasileiros na F1 se manteve por décadas. De 1972 em diante, o Brasil só voltaria a ficar ter menos de dois pilotos no grid em 2013, quando Rubens Barrichello se aposentou e deixou Felipe Massa como o único representante. Foram 41 anos ininterruptos com ao menos dois nomes por temporada.

Nos anos 80 e início dos anos 90, nomes como os tricampeões Ayrton Senna e Nelson Piquet puxaram a fila de destaques brasileiros, juntando-se a outros pilotos como Roberto Pupo Moreno, Maurício Gugelmin.

Com a aposentadoria de Piquet e a morte de Senna, Rubens Barrichello comandou a transição dos anos 90 para os anos 2000, ao lado de pilotos como Christian Fittipaldi e Pedro Diniz. Massa viria a iniciar sua trajetória no início do novo século para ampliar a participação brasileira – que se manteve estável até o meio da última década, quando o jejum encerrado em 2025 se iniciou.

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