A estiagem de 2026 já afeta 129.786 famílias no Amazonas e mantém 47 dos 62 municípios do estado em situação de emergência. Outros 15 municípios, incluindo Manaus, estão em alerta. Os números constam no boletim da Operação Estiagem 2026, divulgado pelo Governo do Amazonas e atualizado às 14h desta terça-feira (3).
De acordo com o levantamento, nenhum município amazonense está em situação de normalidade. Entre as cidades classificadas em emergência estão Parintins, Manacapuru, Tefé, Coari, Humaitá, Maués, Autazes e Presidente Figueiredo. Já Manaus, Itacoatiara, Iranduba, Tabatinga e São Gabriel da Cachoeira integram a lista de municípios em alerta.
Além dos impactos da seca, o Amazonas enfrenta um cenário preocupante de queimadas. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apresentados no boletim, mostram que foram registrados 8.442 focos de calor entre 1º de julho e 3 de novembro. A região Sul do estado concentra 3.868 registros, enquanto a Região Metropolitana de Manaus contabiliza 2.177 focos.
O levantamento também revela a dimensão das operações de combate aos incêndios. Entre 1º de junho e 2 de novembro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas contabilizou 24.514 focos de incêndio combatidos, sendo 19.752 no interior e 4.762 na capital. Os dados evidenciam a pressão sobre as equipes de resposta, especialmente nos municípios do interior.
Na fiscalização ambiental, os órgãos estaduais aplicaram R$ 187 milhões em multas por descumprimento da legislação. Ao todo, foram registrados 727 autos de infração e 665 embargos, que abrangem uma área de 77,4 mil hectares. Os números constam no balanço do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).
Para enfrentar a crise, o Governo do Amazonas informa que mobilizou cerca de 1,5 mil servidores, entre bombeiros militares e brigadistas, além de 18 aeronaves, sendo 16 disponibilizadas pelo Governo Federal e duas pelo Estado. Também foi anunciada a seleção de mais 153 brigadistas florestais para reforçar as ações de prevenção, monitoramento e combate ao fogo.
Na área humanitária, o Estado informa ter enviado 96 toneladas de alimentos, 3.400 kits de limpeza, 3.060 caixas d’água de 500 litros, três reservatórios de 5 mil litros e 18 kits purificadores de água para 15 municípios afetados pela estiagem.
O boletim também apresenta dados sobre os níveis dos rios. Em Manaus, o rio Negro registrou cota de 16,44 metros, em processo de vazante. Em Parintins, no Baixo Amazonas, a medição chegou a -0,31 metro na escala local, enquanto Tabatinga, no Alto Solimões, apresentou cota de 3,17 metros. As medições reforçam o monitoramento das condições hidrológicas em diferentes regiões do estado.
A previsão meteorológica incluída no documento aponta a possibilidade de chuvas mais significativas nas regiões Central, Oeste e Sul, enquanto a porção Leste apresenta tendência de tempo predominantemente seco. A Defesa Civil recomenda o acompanhamento dos avisos meteorológicos diante das mudanças nas condições climáticas.
Apesar da mobilização das equipes e dos recursos empregados, o cenário permanece preocupante: todos os 62 municípios amazonenses estão classificados em situação de emergência ou alerta, evidenciando a abrangência da estiagem e os desafios para reduzir seus impactos sobre a população.


