MP investiga uso de recursos públicos da Prefeitura de Manaus em evento da Igreja Adventista

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) instaurou um procedimento preparatório para investigar a utilização de recursos públicos da Prefeitura de Manaus no custeio do Campori, evento organizado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, instituição religiosa frequentada pelo prefeito de Manaus, Renato Júnior, e pelo ex-prefeito David Almeida, ambos do Avante. A investigação também alcança a participação de empresas contratadas pela administração municipal na estruturação do encontro.

A medida foi publicada na edição do Diário Oficial Eletrônico do MPAM de segunda-feira (26), assinada pelo promotor de Justiça Edgard Maia de Albuquerque Rocha.

O Campori foi realizado entre os dias 3 e 7 de setembro de 2025, no município de Rio Preto da Eva, na Região Metropolitana de Manaus. O encontro reuniu participantes da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que promove atividades religiosas, educativas e de integração voltadas principalmente a crianças e adolescentes integrantes dos clubes de desbravadores.

Apesar de ter sido realizado fora da capital amazonense e organizado por uma instituição religiosa privada, o evento contou com a participação do Município de Manaus no fornecimento ou custeio de estruturas e serviços, conforme a apuração inicial do MPAM.

Ligação

A relação da Igreja Adventista do Sétimo Dia com integrantes do primeiro escalão da Prefeitura de Manaus também chama a atenção. O prefeito Renato Junior possui uma trajetória ligada à denominação religiosa, tendo participado de atividades da igreja desde a juventude e atuado na coordenação de jovens, conforme sua biografia oficial divulgada pela própria Prefeitura.

Então prefeito de Manaus, David Almeida, e então vice-prefeito, atual prefeito de Manaus, Renato Jr., no Campori em setembro de 2022. Reprodução/Instagram de David Almeida.

O ex-prefeito David Almeida também possui vínculos públicos com a instituição. Em setembro de 2022, quando ainda comandava a Prefeitura, participou de outra edição do Campori acompanhado de secretários municipais, entre eles Renato Junior, que ocupava a Secretaria Municipal de Infraestrutura.

Contratações e gastos

Segundo a portaria, o Ministério Público pretende esclarecer como ocorreu a participação da Prefeitura de Manaus no financiamento e na disponibilização de serviços para o evento.

Entre as providências determinadas está a solicitação de informações à empresa Anderson Araújo de Brito Ltda., que utiliza o nome fantasia T.A. Sound e Soluções, inscrita no CNPJ nº 44.639.776/0001-21 e localizada no bairro Parque 10 de Novembro, em Manaus. A empresa deverá informar se participou do fornecimento de transporte, instalação, retirada e locação ou disponibilização de contêineres, banheiros e outras estruturas utilizadas no Campori.

O MP também quer identificar quem solicitou ou contratou os serviços e quais pessoas físicas ou jurídicas ficaram responsáveis pelo fornecimento dos equipamentos. Outro ponto é verificar se houve contratação ou subcontratação envolvendo a Fundação Municipal de Cultura (Manauscult) e as empresas Barra Som, Super G e Jumper.

A investigação busca, ainda, esclarecer se foram utilizados servidores, veículos, máquinas, equipamentos, combustíveis ou quaisquer outras estruturas pertencentes ao poder público municipal durante a execução dos serviços.

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