O rio Negro em Manaus deve continuar em processo de vazante até o fim de outubro e o início de novembro, com previsão de recuperação a partir da segunda quinzena do próximo mês. É o que aponta o boletim hidrometeorológico mais recente do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim-UEA), que também prevê chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas na bacia Amazônica.
Segundo o meteorologista do LabClim Leonardo Vergasta, o nível do rio Negro permanece dentro da normalidade. O cenário, no entanto, exige acompanhamento, principalmente em relação ao comportamento do Solimões, que tem apresentado oscilações e pode influenciar a dinâmica dos rios na região.
“Na semana passada, o Alto Solimões estava despencando. A gente até lançou um alerta, mas, nos últimos quatro dias, o nível em Tabatinga tem subido. Esse reflexo de subida decorre do que está acontecendo também lá na região peruana, que também tem apresentado elevações. O rio já está subindo lá no Peru, já está em Tabatinga e aí vai começar a propagar essa onda de cheia para a região de Fonte Boa, Coari e Manacapuru, até chegar a Manaus”, disse o especialista.
De acordo com o último boletim, divulgado no dia 14 deste mês, o nível do rio Negro deveria permanecer próximo de 16,83 metros até meados de novembro, com possibilidade de ficar abaixo da cota de estiagem, estabelecida em 16 metros. Em atualização exclusiva ao A CRÍTICA, nesta sexta-feira (23), Vergasta antecipou que as projeções mais recentes indicam que o rio Negro pode atingir uma cota mínima entre 15,90 e 16,15 metros em Manaus, ficando abaixo da faixa de normalidade, com os menores níveis previstos para novembro.
Segundo o meteorologista, o modelo indica uma inversão no comportamento do rio por volta do dia 10 de novembro, quando a vazante deve dar lugar à subida. A recuperação mais consistente, porém, só deve começar na segunda quinzena do mês, de forma lenta, com o nível permanecendo abaixo da faixa de normalidade por algum tempo.
“O rio Negro em Manaus vai entrar numa faixa já abaixo da normalidade, vai sair do seu padrão normal e aí ele volta a subir somente a partir da segunda quinzena de novembro. O processo de subida é lento, então vai demorar um pouquinho para voltar à faixa de normalidade. Ele deve ficar ali entre 15,90 e 16,15 metros de cota mínima, deve sofrer essa variação aí, mas isso é o que o modelo está apontando”, explica Leonardo Vergasta, meteorologista do LabClim.
Diferenças em relação a 2025
Dados do Porto de Manaus mostram que o rio Negro baixou 1,83 metro entre os dias 1º e 23 de outubro, passando de 18,73 metros para 16,90 metros. Somente nos últimos sete dias da série, entre 17 e 23 de outubro, o nível recuou de 17,37 metros para 16,90 metros, uma redução de 47 centímetros. Nesta sexta-feira (23), o rio estava a 90 centímetros da cota de estiagem de 16 metros mencionada no boletim, com 16,90 metros.
Na comparação com o mesmo período de 2025, o rio Negro apresenta uma cota 2,72 metros menor em Manaus. Os dados mostram que, em 23 de outubro do ano passado, o rio marcava 19,62 metros, enquanto, na mesma data deste ano, chegou a 16,90 metros. Apesar do nível mais baixo em 2026, a vazante acumulada nos primeiros 23 dias de outubro foi menor neste ano. O rio baixou 1,83 metro desde o início do mês, contra 2,99 metros no mesmo intervalo de 2025.
Chuvas e temperatura
O boletim também prevê chuvas abaixo da média em outubro e novembro no centro, norte e nordeste da bacia Amazônica, incluindo as áreas dos rios Negro, Branco, Solimões, Amazonas, Tapajós e Xingu. Já no oeste e no sul da bacia, as precipitações devem ficar dentro da normalidade.
As temperaturas também devem permanecer acima da média em toda a região, com elevações de 1° C a 2° C. Entre Manaus e Parintins, em Roraima e no norte do Pará, os desvios podem chegar a 3° C. O cenário é influenciado pelo El Niño, classificado como muito forte, e pelo aquecimento do Atlântico Tropical, que pode agravar a seca no norte da bacia Amazônica.


