Manaus passará a contar, a partir de terça-feira (20 de outubro), com uma base permanente da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), em meio à crise de fumaça das queimadas e aos registros de doenças respiratórias. A estrutura apoiará a resposta dos serviços de saúde no Amazonas e em Roraima.
O ponto fixo ficará na sede da superintendência do Ministério da Saúde, na zona centro-sul. O anúncio foi feito em reunião com a Prefeitura de Manaus no dia 12 e integra a preparação federal para enfrentar os efeitos da crise ambiental.
Doenças respiratórias ampliam preocupação
Dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), divulgados em 13 de outubro, apontam aumento de 10,5% nos atendimentos por doenças respiratórias entre agosto e setembro na rede municipal de Manaus.
Já o Amazonas acumulou 4.120 casos de síndrome respiratória aguda grave (Srag) entre 1º de janeiro e 5 de outubro. Desse total, 1.473 foram associados a vírus respiratórios, segundo levantamento da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas.
Os indicadores abrangem períodos e populações diferentes: o primeiro mede atendimentos na capital; o segundo reúne casos graves no estado. Eles não permitem atribuir o conjunto dos registros à fumaça das queimadas.
O Ministério da Saúde alerta, porém, que a exposição à fumaça pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, com atenção especial a crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes.
O que a força nacional fará
Uma equipe da Força Nacional do SUS já foi enviada ao Amazonas em 11 de outubro para avaliar as necessidades da rede, apoiar gestores e orientar a organização da assistência.
O diagnóstico verifica dificuldades de acesso, interrupções no cuidado e necessidades das populações indígenas. Esse levantamento orientará a dimensão do apoio federal, que pode envolver orientação técnica e, se necessário, mobilização de equipes e hospitais de campanha. Não há, nas informações consultadas, anúncio de hospital de campanha para Manaus.
A base permanente dará continuidade a essa presença regional, aproximando a equipe dos municípios e dos desafios de deslocamento na Amazônia.
Oxigênio e insumos sob monitoramento
Em atualização publicada na sexta-feira (16), o Ministério da Saúde informou ter identificado 12 municípios amazonenses que necessitam de algum tipo de suporte nos serviços de saúde.
A pasta também acompanha o consumo de oxigênio, inclusive nos distritos sanitários especiais indígenas, e verifica a capacidade dos fornecedores para eventual resposta emergencial. O monitoramento busca preparar a rede; a nota não informa desabastecimento.
Demandas de Manaus
Na reunião do dia 12, a Semsa informou ter solicitado autorização para retomar a nebulização em cerca de 76 unidades. Naquela ocasião, o pedido ainda aguardava resposta.
A prefeitura também relatou dificuldades para alcançar 14 comunidades ribeirinhas isoladas pela estiagem e propôs ampliar os meios de transporte das equipes.
Embora os atendimentos tenham aumentado entre agosto e setembro, o secretário municipal de Saúde, Nagib Salém, afirmou no encontro que ainda não havia sido identificado aumento significativo relacionado à fumaça na rede municipal.
A instalação da base coloca a assistência à saúde no centro da resposta à crise: além de combater o fogo, o poder público precisa garantir atendimento a quem sofre seus efeitos.


